quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Dia de São Francisco


Dia de São Francisco




Oração de São Francisco
Hoje no dia de São Francisco é com muita alegria que compartilhamos, agradecemos e oramos. A oração de São Francisco é uma das lindas expressões da vida do Mestre, aquele que com profundo amor e sabedoria nos conduz ao caminho da iluminação. Uma vida simples com humildade, mas, repleta de significado e alegria nas coisas verdadeiras da vida, o serviço e o acolhimento ao próximo. 


Selecionamos também uma história linda de um Servidor da Chama Amarela recebida pela Maria Silvia, que conta da sua trajetória e encontro com Francisco, nos ensinando sobre o desapego, a paz, o amor... Que a luz de São Francisco seja nosso guia, que seu exemplo nos inspire, e que sua Graça esteja conosco ainda mais no dia de hoje. Amém.

Com amor,

Diogo Guedes
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 Meus amados, as vestes nunca fizeram o monge. Na minha época muitos se vestiam de padres para roubar, para escapar de ciladas e emboscadas. Eu vivi num mundo cheio de fraudes e essas fraudes não eram diferentes das fraudes que vocês vivem hoje. Pessoas que não falam a verdade, pessoas que vivem pela ganância e pelo egoísmo, pessoas inconscientes da sua condição de filho, de filha de Deus... Pessoas perdidas na ignorância.

Eu era então um rapaz e queria muito ganhar dinheiro e fazer sucesso nas minhas empreitadas, conquistar uma vida melhor, mas eu era apenas um aldeão, um rapaz simples. Eu não tinha pai rico, não tinha nenhum título de nobreza, mas a todo custo eu queria escapar do trabalho como camponês. Eu não queria arar a terra, porque era um serviço muito pesado, um serviço muito grosseiro e eu era franzino, eu me cansava fácil.

Eu queria algo muito diferente para mim e quando eu olhava, quando eu via os nobres, eu idealizava a nobreza. Eu achava que eles, os ricos, aqueles que tinham grandes cavalos e roupas caras e bonitas eram pessoas felizes e que eu, na precariedade da minha vida, era uma pessoa muito infeliz, porque que mal eu tinha o pão pra comer, mal eu tinha uma roupa surrada para vestir.

Então com todo esforço eu comecei a me aproximar de um convento que existia ali perto, porque Eu queria ser admitido lá para trabalhar como monge, eu tinha muita vontade de servir como monge. Eu achava que no dia em que vestisse aquele manto a minha vida seria completamente diferente, porque eu estaria dentro da espiritualidade e eu não ousava dizer nem para mim, mas o que eu queria era um bom prato de sopa quente no inverno, uma roupa confortável para dormir, um lugar fechado e seguro. Eu ambicionei muito tudo isso, o conforto, o conforto, o conforto...

Eu achei que no conforto existiria a paz e como eu não conseguiria jamais ser um nobre, porque não nasci numa família com título, era mais fácil tentar ser um padre, como eu era inconsciente. Eu achava que a felicidade estava sempre no mundo fora, nunca em mim e sonhei que se eu fosse um padre, construiria um templo, faria grandes coisas, deixaria um legado para frente e como no mundo dos sonhos tudo é possível, já me vi cardeal e por que não um Papa?

Sim, eu era muito ambicioso. Eu queria as coisas. Mal sabia ler, mal sabia escrever. Meus ombros doíam de tanto puxar uma carroça, mas eu queria tudo; queria tudo aquilo que eu imaginava como felicidade, como realização, como a tranquilidade, como a paz. Tudo isso que eu idealizava, imaginava, se referia ao mundo material. Eu nem tinha consciência das coisas do espírito e foi assim, pela porta dos fundos, que entrei no convento.

Eu era um ajudante, nem noviço eu era, eu era apenas um ajudante, mas ali passei a receber comida e achei que estava no caminho certo para realização dos meus sonhos. Era um lugar muito grande esse que eu trabalhava, um lugar enorme, um mosteiro que atendia muitas civilizações que passavam por ali; eram vários grupos. E um dia, eu já estava lá há algum tempo e continuava não sendo ninguém importante, mas eu me achava importante e um pequeno grupo de monges chegou ao lugar e entre eles estava Francisco. Ele era o mais simples de todos.

Magro. Os pés cobertos apenas por uma sandália gasta, mas era estranho, porque eu olhava pra ele e era como se ele não sentisse frio, nem fome, nem sede, nem nada. Ele se bastava, e como se isso não fosse suficiente, os homens que estavam ao lado dele o tempo todo se aproximavam dele, como que se alimentassem da energia que vinha dele.

Era estranho e ao mesmo tempo bonito olhar aquelas pessoas, mas Eu nada compreendi. Eu apenas fui arrumar o quarto onde iriam se hospedar, porque aquele mosteiro era um lugar de passagem, onde muitos grupos passavam uma noite, uma semana, quinze dias e depois prosseguiam viagem e de forma que não tenho explicação, nos dias em que ficaram por ali, o frio deixou de congelar. As noites se tornaram mais iluminadas.

Eu não sabia dizer se aquilo era só pra mim ou se aquilo valia para todas as pessoas que estavam naquele mesmo momento. Eu fui me chegando àquele grupo e quando eles foram embora, senti muito a ausência deles. Eu tinha participado de algumas pequenas palestras que eles faziam. Eu era apenas um rapaz, mas as palavras tocaram fundo meu coração. Eram coisas muito simples que se falava ali: Compreensão, amor, paz... Tudo muito distante do meu mundo.

Eu estava ali, naquele momento da minha vida apenas trabalhando, ambicionando, desejando, correndo atrás das minhas conquistas, sonhando como seria o meu futuro, como seria amanhã, depois de amanhã, depois e depois de amanhã, o que eu iria comer, o que eu iria vestir, o que eu iria conquistar. Eu que não tinha nada, sonhava com tudo, mas a presença deles me marcou profundamente. E a partir daquele momento um pequeno milagre começou acontecer comigo. Eu comecei a ver a vida de uma outra forma e fui atrás desse grupo.

E durante muito tempo eu andei atrás deles pedindo para ser aceito, e eles falavam para mim: Você não está pronto! E Eu pensava: Meu Deus, pronto como? Eu já não tenho dinheiro, Eu não tenho roupas, Eu não tenho nada, não tenho expectativas de vida... Eu estou pronto, sim!
Eu achava que a espiritualidade deles, que fazia eles felizes era a espiritualidade da pobreza, porque eles eram tão pobres e Eu achava que a Minha admissão junto a esse seleto grupo se devia a Minha condição de ser pobre igual a eles. Eles diziam para Mim: Você não está pronto. Eu ouvia aquilo e nunca entendi.

Depois de algum tempo eu parei de procurar por eles, de andar atrás deles e a minha vida mudou.
Eu fui aceito para trabalhar com um senhor muito rico. Ele foi muito bondoso pra mim e me deu muitas condições na vida. Aquela minha existência passou quando eu tive o esclarecimento espiritual. Eu entendi que a passagem daqueles seres de tanta luz pela minha vida foi como sentir o perfume de uma flor. Algo que aquece o coração, que limpa a mente, traz conforto, mas que passa.

Eu fiquei com aquela impressão dentro de mim e aquilo me fez viver uma vida com mais modéstia, com mais tranquilidade, com menos ambição, com menos ganância, porque a ganância, a ambição acomete qualquer pessoa; os pobres e os ricos. Os pobres podem ser muito gananciosos e egoístas, assim como os ricos podem ser gananciosos e egoístas. Os pobres podem ser inseguros; os ricos podem ser inseguros. As más qualidades não se distinguem através de condição social, de casta ou de nascimento; assim como as boas qualidades são como flores que precisam ser plantadas e cuidadas num lugar adequado.

Meus queridos, a vida não vem pronta. Qualidades negativas, sombras e pensamentos ruins de pobreza são como ventos que passam pela vida das pessoas. Não há como fugir, não há como negar. Há a sabedoria de enfrentar. Com o contato com aqueles seres espirituais eu recebi um pouco dessa benção, da sabedoria de como enfrentar situações difíceis. Eu tive uma boa vida e tive o impulso de crescimento e aprendizado kármico naquela existência.

Hoje eu trabalho na Chama Amarela e os Mestres me deram autorização de aqui estar com vocês, porque eles julgaram muito necessário dizer ao grupo dessa minha experiência, desse meu aprendizado de vencer as coisas da vida, de não ambicionar tanto o conforto, a alegria, a felicidade, porque quanto mais eu ambicionei, mais pobre eu fiquei, porque eu sofria muito com as coisas que eu não tinha, com as pessoas que não me amavam, com as roupas bonitas que eu não vestia, com o sucesso que eu não fazia. Eu sofria demais por tudo isso, assim como aqui muitos de vocês sofrem.

Eles me mandaram aqui, hoje pra eu contar a vocês por que não sofrer, porque tudo isso passa. São Francisco, o Mestre da Chama Amarela, nunca foi pobre e isso eu não compreendi naquela época, porque ele não precisava de nada que o mundo poderia oferecer a ele. Ele era uma alma tão profundamente ligada a Deus que ele tinha absolutamente tudo; então as coisas do mundo não o encantavam. A beleza daquele ser era tão intensa, tão linda que nos tornava a todos belos também. Era só se aproximar dele que a nossa energia mudava.

Eu só aprendi essas coisas no plano espiritual, mas estou aqui contando a vocês, porque vocês têm capacidade de compreender tudo isso mesmo estando encarnados. Os Mestres dizem que o mundo que vocês vivem hoje na carne, na matéria, é um mundo muito difícil, porque o tempo inteiro vocês estão sendo impulsionados a ambição, quero mais, preciso mais, não tenho o suficiente. O tempo inteiro vocês estão construindo castelos que não se concretizam e que trazem profundas frustrações.

Simplifiquem suas vidas. A grande mensagem do Mestre é ‘simplificar a vida’; querer menos, precisar menos e amar mais. Amar mais a si mesmo, amar aos outros como a si mesmo. Hoje Eu sou um servidor e me dôo com amor. Recebo de vocês o sentimento do amor com alegria. A serviço da Chama Amarela, aqui estou para oferecer o meu amor e a minha singela lição de vida. 

A riqueza é o amor e o amor é a única riqueza que realmente faz feliz o homem.
Recebam meu carinho, a minha benção e meu amor.


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